Para
os
que
chegavam,
o
mundo
em
que
entravam
era
a
arena
dos
seus
ganhos,
em
ouros
e
glórias,
ainda
que
estas
fossem
principalmente
espirituais,
ou
parecessem
ser,
como
ocorria
com
os
missionários.
Para
alcançá‐las,
tudo
lhes
era
concedido,
uma
vez
que
sua
ação
de
além‐mar,
por
mais
abjeta
e
brutal
que
chegasse
a
ser,
estava
previamente
sacramentada
pelas
bulas
e
falas
do
papa
e
do
rei.
Mas
aqui,
o
que
viam,
assombrados,
era
o
que
parecia
ser
uma
humanidade
edênica,
anterior
à
que
havia
sido
expulsa
do
Paraíso.
Abre‐se
com
esse
encontro
um
tempo
novo,
em
que
nenhuma
inocência
abrandaria
sequer
a
sanha
com
que
os
invasores
se
lançavam
sobre
o
gentio,
prontos
a
subjugá‐los
pela
honra
de
Deus
e
pela
prosperidade
cristã.
Só
hoje,
na
esfera
intelectual,
repensando
esse
desencontro
se
pode
alcançar
seu
real
significado.
Para
os
índios
que
ali
estavam,
nus
na
praia,
o
mundo
era
um
luxo
de
se
viver,
tão
rico
de
aves,
de
peixes,
de
raízes,
de
frutos,
de
flores,
de
sementes,
que
podia
dar
as
alegrias
de
caçar,
de
pescar,
de
plantar
e
colher
a
quanta
gente
aqui
viesse
ter.
Na
sua
concepção sábia
e
singela,
a
vida
era
dádiva
de
deuses
bons,
que
lhes
doaram
esplêndidos
corpos,
bons
de
andar,
de
correr,
de
nadar,
de
dançar,
de
lutar.
Olhos
bons
de
ver
todas
as
cores,
suas
luzes
e
suas
sombras.
Ouvidos
capazes
da
alegria
de
ouvir
vozes
estridentes
ou
melódicas,
cantos
graves
e
agudos
e
toda
a
sorte
de
sons
que
há.
Narizes
competentíssimos
para
fungar
e
cheirar
catingas
e
odores.
Bocas
magníficas
de
degustar
comidas
doces
e
amargas,
salgadas
e
azedas,
tirando
de
cada
qual
o
gozo
que
podia
dar.
E,
sobretudo,
sexos
opostos
e
complementares,
feitos
para
as
alegrias
do
amor.
Os
recém‐chegados
eram
gente
prática,
experimentada,
sofrida,
ciente
de
suas
culpas
oriundas
do
pecado
de
Adão,
predispostos
à
virtude,
com
clara
noção
dos
horrores
do
pecado
e
da
perdição
eterna.
Os
índios
nada
sabiam
disso.
Eram,
a
seu
modo,
inocentes,
confiantes,
sem
qualquer
concepção
vicária,
mas
com
claro
sentimento
de
honra,
glória
e
generosidade,
e
capacitados,
como
gente
alguma
jamais
o
foi,
para
a
convivência
solidária.
Aos
olhos
dos
recém‐chegados,
aquela
indiada
louçã,
de
encher
os
olhos
só
pelo
prazer
de
vê‐los,
aos
homens
e
às
mulheres,
com
seus
corpos
em
flor,
tinha
um
defeito
capital:
eram
vadios,
vivendo
uma
vida
inútil
e
sem
prestança.
Que
é
que
produziam?
Nada.
Que
é
que
amealhavam?
Nada.
Viviam
suas
fúteis
vidas
fartas,
como
se
neste
mundo
só
lhes
coubesse
viver.
Aos
olhos
dos
índios,
os
oriundos
do
mar
oceano
pareciam
aflitos
demais.
Por
que
se
afanavam
tanto
em
seus
fazimentos?
Por
que
acumulavam
tudo,
gostando
mais
de
tomar
e
reter
do
que
de
dar,
intercambiar?
Sua
sofreguidão
seria
inverossímil
se
não
fosse
tão
visível
no
empenho
de
juntar
toras
de
pau
vermelho,
como
se
estivessem
condenados,
para
sobreviver,
a
alcançá‐las
e
embarcá‐las
incansavelmente?
Temeriam
eles,
acaso,
que
as
florestas
fossem
acabar
e,
com
elas,
as
aves
e
as
caças?
Que
os
rios
e
o
mar
fossem
secar,
matando
os
peixes
todos?


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